Domingo, 20 de Maio de 2012

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Perfeccionismo Histórico

Muitos que acreditam estar mantendo firme o adventismo histórico podem estar, na realidade, mantendo teimosamente o que chamo de “perfeccionismo histórico”. O perfeccionista dificilmente reconhecerá que é perfeccionista. Afinal, ele

A participação dos cometas na grande inundação

Observações do cometa Hartley 2 pelo telescópio espacial Herschel deram novas pistas que reforçam a teoria de que os cometas abasteceram uma parcela significativa dos oceanos da Terra. Os cientistas

Aquecimento global é questionado. E o darwinismo?

Assim como fiz aqui no blog, o site Inovação Tecnológica repercutiu a conclusão da geógrafa Daniela de Souza Onça com respeito ao aquecimento global supostamente causado pelo ser humano (antropogênico).

Palavra confirmada

Foi anunciada no dia 8 de abril de 2010, pela Universidade de Toronto, no Canadá, a descoberta de um tablete cuneiforme contendo o relato de uma aliança entre o rei

Inventores, mestres, diluidores

O escritor Ezra Pound, em ABC da Literatura (Ed. Cultrix), propôs a existência de três classes de criadores:1. Inventores: os que descobrem um novo processo ou cuja obra nos dá

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O Egito do indivíduo pós-moderno Escrito por Michelson Borges   


Você reparou na declaração de Barack Obama, na quarta-feira passada, apoiando o casamento entre homossexuais? Manobra eleitoreira em busca do voto dos homossexuais? Talvez, mas, muito provavelmente, visa a desviar a atenção da campanha presidencial dos gravíssimos problemas econômicos dos EUA. Eu diria até que a causa gay de Obama guarda certa semelhança com a invasão das Malvinas pela ditadura militar argentina em 1982 (curiosamente, a protoditadura civil da família Kirchner esboça pegar o mesmo atalho). Em um texto divertido, um colunista a quem aprecio aproveitou o embalo para pedir, um tanto jocosamente, a legalização da poligamia. E listou inúmeras (e práticas) razões.

Mas, falando sério, o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo vem ganhando corpo graças à incansável militância de seus ativistas e simpatizantes nos veículos de comunicação. A palavra mágica - verdadeira gazua argumentativa dos nossos dias - é “consensualidade”:* alegam que a vida privada de dois adultos sob comum acordo é assunto restrito a ambos. Um argumento válido, desde que respeitadas certas restrições legais (dia desses um sujeito não se livrou da cadeia por ter matado e devorado outro a pedido do próprio - ambos se haviam conhecido pela internet).

Sobre essas questões, lembro sempre da célebre tirada de Bertolucci: “O fascismo começa caçando tarados”, o tal do pretexto inaugural. Isso vale tanto para o aborto dos anencéfalos (a militância abortista e aborteira não está nem aí para a sanidade física e psicológica da mãe, muito menos do bebê sem perspectivas - querem mais é abrir precedentes para ampliar aos poucos a lista de permissões para o infanticídio), quanto para o tal do casamento “gay” - esse termo, em si, já valeria um estudo de caso. Bom, vamos seguir o argumento até onde ele nos leva.

Aproveitando a tsunami liberalizante, progressista e amiga da humanidade, por que não eliminar também interdições de natureza adjacente? Remetendo ao Adriano de Marguerite Youcenar, já é hora de dar um basta às “servidões inúteis”. Chega de arrastar pela vida o pesadíssimo saco de tijolos das superstições morais legadas pelos medievais (Al Pacino, in “O Advogado do Diabo”).

Explico: se consideramos suspender as restrições legais quanto ao sexo dos nubentes (que os mais avançadinhos rebatizaram de “gênero”), o que impede adoçar ainda mais a lua-de-mel inovando em cardinalidade e parentesco?

A relação conjugal deixaria de ser um-homem-pra-uma-mulher (1:1) e passaria para vários-pra-vários (n:m), e sem restrições de consanguinidade. Um sujeito poderia se casar, além de com a própria esposa, com o filho caçula e a filha mais velha, com cinco dos vizinhos e vizinhas, com a sogra (pois há sogras e SOOOGRAS); e também com o patrão, com dois dos sacerdotes da igreja (ou terreiro) que frequenta, com o maître de seu restaurante preferido, com sua empregada doméstica e com mais quantos couberem em sua agenda afetiva. (Ah, sim!, para economizar tempo e estresse, a idade mínima de quaisquer dos noivos também poderia ser reduzida para o início da puberdade - não era assim até meados do século retrasado?) O casamento poderia ser também como um serviço de assinatura de revistas, cuja não renovação explícita resultaria em caducidade e anulação.

Em decorrência, um grupo de 500 pessoas - metade homens, metade mulheres - em vez de se restringir a possíveis 250 matrimônios, poderia originar uma produtória inumerável de relacionamentos múltiplos e, por que não dizer, evoluídos. Afinal, se o casamento deve ser apenas o que queiramos que ele seja, para que limitá-lo ao preconceito de reacionários e conservadores monoteístas?

Um compositor brasileiro, já falecido, cantava: “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades...” O futuro da nossa sociedade aponta para as civilizações cananeias do século XIV a.C.: infanticídio, pederastia, incesto, o prazer dos sentidos e a natureza como objetos de cultos coletivos regulares...

Nosso mundo elegeu sua Terra Prometida: a Canaã pré-Moisés, e para ela ruma a passos largos, pressuroso, ávido, impaciente.

É isso. A parousia do homem pós-moderno é um gigantesco condomínio matrimonial sobre o qual nunca se apaga o letreiro luminoso: “HÁ VAGAS.” Com rodízios de pratos e leitos, com Viagra e Epocler durante e eutanásia ao final. Como o Cristianismo discorda dessa nova Cocanha,** pau nele...

(Marco Dourado, analista de sistemas formado pela UnB, com especialização em Administração em Banco de Dados)

(*) Interessante como essas causas ditas progressistas costumam ser apoiadas majoritariamente por evolucionistas. Entende-se. A evolução biológica, para eles, resulta da perda de informação genética. Já a “evolução social” depende da supressão de étimos morais: permissividade, licenciosidade, filicídio, etc.

(**) A Cocanha é um país mitológico, conhecido durante a Idade Média. Nessa terra mitológica, não havia trabalho e o alimento era abundante; lojas ofereciam seus produtos de graça, casas eram feitas de cevada ou doces, sexo podia ser obtido imediatamente de freiras, o clima sempre era agradável, o vinho nunca terminava e todos permaneciam jovens para sempre. Vivia-se entre os rios de vinho e leite, as colinas de queijo (queijo chovia do céu) e leitões assados que ostentavam uma faca espetada no lombo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cocanha).

Aos meus queridos ateus Escrito por Michelson Borges   


Os ateus sempre me chamaram a atenção. Na minha sala de aula, eles sempre foram os alunos mais curiosos, atentos, interessados, como no caso do Rafael, uma história que já compartilhei aqui com vocês. Mas quando falo de ateus não me refiro aos adolescentes rebeldes, os contestadores de autoridade que adoravam comprar uma briga com o professor de religião. Um deles, certa vez, num ato falho, disse numa das minhas aulas: “Graças a Deus, eu não acredito em Deus”... Não, não falo desses hippies de butique. Falo dos ateus genuínos, esses seres frequentemente agoniados, principalmente quando se veem diante das contradições e limites humanos, como a miséria, uma doença incapacitante ou a morte.

Sempre me comoveu a busca desses ateus, o embate entre a razão e o afeto, o inconformismo diante da beleza da vida e a brutalidade da morte, a convivência forçada e contraditória entre a fartura e a miséria, os contrastes que levam à pergunta ancestral: Onde está Deus?

Em nenhum momento me sinto superior a eles, como se eu fosse um ser iluminado, ou possuísse algo que eles não têm. Ao lado deles, me sinto simplesmente irmão. Talvez por isso, por esse respeito fraterno, minha relação com eles tenha sido tão serena ao longo de mais de três décadas na sala de aula.

No fundo, talvez o ateu genuíno apenas expresse essa perplexidade que nos visita diante das contradições, dos absurdos, das brutalidades da vida e do homem.

O papa Bento XVI, tão rotulado de insensível pela grande mídia, quando visitou o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, em maio de 2006, disse:

“Num lugar como este faltam as palavras. No fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado, um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou?”

O Papa fazia eco a outro grito silencioso ali experimentado pelo escritor judeu Elie Wiesel, ele mesmo um sobrevivente do Holocausto, que, contando sua saga como prisioneiro naquele campo de morte no livro A Noite, diz:

“Voltávamos do trabalho uma tarde e vimos três forcas erguidas no centro do campo. Ao nosso redor, o pelotão dos S.S., com metralhadoras apontadas: a cerimônia tradicional. Três condenados algemados. Um deles, uma criança, um anjo de olhos tristes...

“Os três condenados subiram em suas cadeiras, juntos. Nos três pescoços foram colocados, ao mesmo tempo, os nós corrediços.

“– Viva a liberdade! – gritaram os dois adultos. O pequeno ficou calado.

“As cadeiras foram chutadas pelo carrasco e os três corpos caíram, num baque seco.

“– Onde está o bom Deus? Onde está? – perguntou alguém atrás de mim.

“Do fundo do meu coração, ouvi uma voz que lhe respondia:

“– Onde está Deus? Ali, pendurado naquela forca...”

Certa vez, assistindo ao programa Roda Viva, da TV Cultura, onde o entrevistado era o jornalista Paulo Francis, testemunhei um dos momentos mais angustiantes de um ateu genuíno. Francis, dotado de uma cultura enciclopédica, uma ironia corrosiva, debatia com seus entrevistadores como quem maneja uma espada afiada, no caso, sua língua ferina. Zombava da bancada, fazia piadas com os ataques, garantia o ibope com seu jeito característico e debochado de falar. Até que um dos presentes lhe perguntou: “E Deus, você acredita em Deus?”

Francis parou, ficou em silêncio por alguns insuportáveis segundos e disse: “Eu queria muito, muito mesmo, acreditar em Deus, mas não consigo. Viajei demais. Vi demais. Não consigo...”

O escritor português José Saramago, recentemente falecido, dizia coisa semelhante: “Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro...”

Em 1999, numa entrevista à jornalista Marília Gabriela, ele se declarava em paz com seu ateísmo. E acrescentava: “Não sou contra as religiões. Sou contra o poder daqueles que chamo de administradores das religiões.”

Respeito esses ateus genuínos. Admiro suas dúvidas, tão parecidas com as minhas. Sei, com um saber que não vem da compreensão intelectual, sei com minha alma infantil, ridiculamente infantil, que Deus existe. Nada mais que isso. Ou melhor, o que verdadeiramente me consola é saber que Ele sabe que eu existo. Mas não peçam para provar coisa alguma.

Quando o Rafael, meu aluno de 15 anos, me disse que não acreditava em Deus, me provocando, chamando para um debate inútil, eu apenas lhe respondi: “Tem problema não, Ele continua acreditando em você...”

Não há nada mais inútil para a fé que as certezas. Se há certezas, não há espaço para a fé, não há necessidade de fé. A fé só existe mesmo na escuridão. Sem ela, sem o risco do passo em falso, da corda bamba, não há como haver essa entrega gratuita, espontânea, infantil.

Por isso, creio em Deus ao modo de criança; porque sim.

Não me exijam argumentos, grandes elaborações intelectuais, fórmulas matemáticas, comprovações da Física quântica, da Metafísica, das moléculas da água, das considerações filosóficas. A minha fé não resistiria a tanta erudição.

Eu creio em Deus, repito, ao modo de criança. Sinto em mim, em tudo que há em mim, o seu amor silencioso, doce, terno, exigente, integrador. Um amor que não me poupa das agruras do deserto, mas é força para a travessia. Um amor que, em meio à sede ardente, sussurra em meus ouvidos, num eco, as palavras do Pequeno Príncipe, de Exupéry:

“O que torna belo o deserto é que ele esconde um poço, em algum lugar...”

Creio num Deus assim, que é amor em mim. Porque SIM...

(Eduardo Machado, no blog Estória das Histórias)

Querem descaracterizar um grande cientista Escrito por Michelson Borges   


E não é difícil de comprovar essa afirmação. Shadow to Light ilumina o absurdo dos ataques provenientes dos novos ateus dirigidos à religião em geral, e a Francis Collins em particular. Jerry Coyne acusou Francis Collins de ser um “embaraço para o NIH [National Institutes of Health] e para todas as pessoas racionais”, e de ser um “proponente de crenças profundamente anticientíficas”. Myers qualifica Collins de “pateta criacionista que argumenta contra teorias científicas” e um “agradável peso-pluma” que não sabe pensar como um cientista. Seria de pensar que esses três militantes ateus fundamentassem seus ataques a partir de plataformas científicas superiores à do sujeito religioso. Mas, infelizmente, não é esse o caso.

Entre 1971 a 2007, Francis Collins publicou 384 artigos científicos. Certamente que ele publicou mais desde 2007, mas é aí que termina o currículo online dele. De fato, pesquisando na PubMed (base de dados que contém milhões de artigos científicos), parece que ele publicou 483 artigos. No entanto, vamos nos restringir aos 384 artigos em cima mencionados, uma vez que pode haver outros “Collins FS” misturados com os resultados da pesquisa na PubMed.

Usando também a PubMed ficamos sabendo que Jerry Coyne publicou uns respeitáveis 88 artigos científicos, entre 1971 e 2011. Myers parece ter publicado dez artigos, entre 1984 e 1999. Para Sam Harris, nem é preciso pesquisar na PubMed, porque o site dele nos fornece o número de suas publicações: ele publicou dois artigos desde 2009 (fonte).

Em outras palavras, não é o cristianismo que impede o avanço da ciência. Francis Collins não só produziu mais ciência que seus críticos, como publicou mais do que o dobro de artigos científicos publicados por Richard Dawkins, Jerry Coyne, PZ Myers e Sam Harris juntos.

Além disso, ele produziu muito mais artigos que o falecido Christopher Hitchens, Daniel Dennett e Michael Shermer, pessoas que também fizeram alegações em torno da imaginada “incompatibilidade” entre o cristianismo e a ciência.

Como é normal, os argumentos dos militantes ateus se baseiam em lógica deficiente e não nas evidências empíricas que eles alegam valorizar.

Collins fez mais pelo avanço da ciência do que todos os novos ateus combinados.

(Darwinismo)

A Pedagogia das Tempestades Escrito por Felippe Amorim   




Introdução

Deus tem diversas formas de nos ensinar Suas lições. Ele é um professor por excelência e nós somos seus alunos por extrema necessidade. Nesta relação professor-aluno, nós somos muito beneficiados, pois, na verdade, não sabemos nada e precisamos da sabedoria dAquele que sabe de tudo.
A história relatada em Mateus 14: 22-33 nos mostra um dos métodos de Deus para ensinar os seres humanos. Esta história acontece em três cenários distintos: A praia, o mar e o coração dos discípulos. Meditando nela conseguiremos entender como Deus trabalha a sua pedagogia.

A Praia

Logo em seguida obrigou os seus discípulos a entrar no barco, e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. Tendo-as despedido, subiu ao monte para orar à parte. Ao anoitecer, estava ali sozinho. (Mt 14: 22-23)

Jesus tinha acabado de realizar o espetacular milagre da multiplicação dos pães e peixes. Aquele evento tinha acendido a esperança daquelas quase dez mil pessoas de que finalmente o messias libertador político havia chegado. Eles tinham esperança de que se tornariam livres dos romanos, que a miséria acabaria e finalmente Israel se tornaria uma poderosa nação que dominaria as outras.
A multidão aclamava Jesus e esse sentimento também era real no coração dos discípulos. Eles também criam em um messias político. Não compreendiam que o reino de Jesus seria espiritual e não terreno.
Os discípulos queriam coroar Jesus naquele momento, Judas era o mais animado. Ele se imaginava tesoureiro do reino que seria estabelecido. As vantagens terrenas estavam diante dos olhos dos discípulos.
Mas Jesus, com sua infinita sabedoria, sabia que se ele fosse coroado seu ministério chegaria ao final precocemente.
Jesus, então, dá uma ordem aos discípulos, manda-os irem embora para o outro lado do mar. Eles não queriam ir, seus planos eram coroar Jesus rei. Para que os discípulos obedecessem à ordem, o Mestre teve que ser duro com eles. A palavra inspirada diz que Ele os obrigou a ir. Em outras traduções diz que eles foram compelidos. A questão é que para que os discípulos fossem para onde Jesus queria, foi necessário que pela primeira vez Jesus falasse de forma dura com eles.
A recusa de Jesus de coroar-se rei causou grandes dúvidas nos discípulos: “Deveriam ser sempre considerados seguidores de um falso profeta? Não haveria Cristo nunca de afirmar Sua autoridade como rei? Por que não havia Ele, que possuía tal poder, de revelar-Se em Seu verdadeiro caráter e tornar-lhes a eles o caminho menos penoso? Por que não salvara João Batista de uma morte violenta? Assim raciocinavam os discípulos, até que trouxeram sobre si mesmos grande treva espiritual. Perguntavam: Poderia ser Jesus um impostor, como afirmavam os fariseus?”  (Desejado de Todas as Nações, 380). A primeira tempestade desta história não aconteceu no mar, aconteceu na cabeça dos discípulos. Eles precisavam aprender no que consistia a obra de Cristo.  A cabeça dos discípulos estava em tempestade de pensamento.
Sabendo de tudo o que estava acontecendo, Jesus subiu para o monte para orar. Ele orava pela multidão e orava pelos discípulos. Ambos os grupos precisavam compreender a essência do reino de Deus.

O mar

Entrementes, o barco já estava a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar. Os discípulos, porém, ao vê-lo andando sobre o mar, assustaram-se e disseram: É um fantasma. E gritaram de medo. Jesus, porém, imediatamente lhes falou, dizendo: Tende ânimo; sou eu; não temais. Respondeu-lhe Pedro: Senhor! se és tu, manda-me ir ter contigo sobre as águas. Disse-lhe ele: Vem. Pedro, descendo do barco, e andando sobre as águas, foi ao encontro de Jesus. Mas, sentindo o vento, teve medo; e, começando a submergir, clamou: Senhor, salva-me. Imediatamente estendeu Jesus a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? E logo que subiram para o barco, o vento cessou (Mt 14: 24-32).

Já estava quase escuro quando os discípulos partiram no barco, eles demoraram a cumprir a ordem de Jesus.
Mesmo indo para o lugar onde Jesus havia mandado, eles não estavam isentos de enfrentarem tempestades, pois, “o vento era contrário”. Na vida também enfrentamos tempestades, mesmo quando seguimos o caminho que Jesus nos indicou, pois, existe um inimigo que sopra um vento contrário. O próprio Jesus disse: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”(Jo. 16:33). A promessa de Jesus é companhia, não ausência de tribulações.
O vento era contrário não somente no mar, mas também no coração dos discípulos. Jesus sabia disso e queria os ensinar uma preciosa lição.
Então Jesus permitiu que a tempestade chegasse aos discípulos, ela seria seu instrumento pedagógico. O tormentoso mar, paradoxalmente, pôde aquietar a tormenta que rugia no coração deles. Do mesmo modo, às vezes nos encontramos no mar das dificuldades, nessas ocasiões Jesus usa a tormenta para nos fazer crescer espiritualmente.
Há algo curioso nesta história. A Bíblia diz que somente “na quarta vigília da noite” Jesus foi socorrê-los.  Naqueles tempos a noite era dividida em quatro vigílias de três horas cada uma. Portanto, Jesus foi em direção aos discípulos por volta das três horas da manhã. Ele aparentemente demorou. Os discípulos lutaram contra a tempestade durante cerca de oito horas.
Por que Jesus demorou tanto? A primeira coisa que precisamos saber é que Jesus lá de cima do monte velava pelos discípulos, mesmo chegando apenas na quarta vigília Jesus passou a noite toda os observando e os protegendo. Não fosse isso e o barco teria afundado logo no início da tempestade, porém, Jesus queria deixa-los lutando até que eles entendessem que não poderiam vencer sozinhos.
Lá na praia os doze seguidores de Cristo achavam que eram sábios e poderosos. Achavam que poderiam entronizar a Jesus e não concordaram com o Mestre quando os mandou ir embora. O Senhor queria ensiná-los que eles não podiam nada sozinhos. Esta é uma lição que nós também precisamos aprender. Às vezes Jesus nos deixa lutando em nossas tempestades até que compreendamos que não podemos vencer sozinhos.
Depois de uma noite de luta finalmente acabaram as forças deles. A demora de Jesus fez com que eles percebessem o quanto necessitavam do seu Senhor. Quando eles perceberam que não podiam sozinhos, então Jesus veio. Quão bom seria se nós nos rendêssemos a Jesus logo no início de nossas lutas!
Jesus foi encontrá-los andando sobre o mar. A tempestade ainda estava muito intensa, mas Jesus anda sobre e dentro da tempestade. “Tende bom ânimo” e “não temais”. Estas foram as ordens dadas por Jesus enquanto a tempestade ainda estava forte.
Estas mesmas ordens são dadas a nós. Mesmo no meio das aflições não precisamos ter medo. O segredo estava na frase: “SOU EU”. É a presença de Cristo que garante paz em meio à tempestade.
Neste momento da história se destaca a figura do sempre pronto a falar: Pedro. A frase que ele falou pode traduzir-se também assim: "já que és tu, manda-me ir ter contigo sobre as águas". Pedro não tinha dúvida de quem era o que lhes tinha aparecido. Embora inicialmente os discípulos tenham gritado com medo de um fantasma. Logo identificaram Jesus como aquele que caminhava sobre o mar, de outro modo Pedro nunca se teria atrevido a sair do barco para tentar caminhar sobre as ondas encrespadas pelo vento.
Pedro saiu do barco por fé. A fé o sustentou sobre as águas do mar de Galileia. Mas essa fé só foi ativa enquanto ele manteve os olhos fixos em Jesus.
Nunca precisamos temer enquanto mantemos os olhos em Cristo e confiamos em sua graça e poder. Mas quando nos olhamos a nós mesmos, aos que nos rodeiam, e às dificuldades que nos circundam, temos muitas razões de ter medo.
Ellen White descreve assim aquele momento: “Olhando para Jesus, Pedro caminha firmemente; como satisfeito consigo mesmo, porém, volta-se para os companheiros no barco, desviando os olhos do Salvador. O vento ruge. As ondas encapelam-se, alterosas, e interpõem-se exatamente entre ele e o Mestre; e ele teme. Por um momento, Cristo fica-lhe oculto, e sua fé desfalece. Começa a afundar. Mas ao passo que as ondas prenunciam morte, Pedro ergue os olhos para Jesus e brada: "Senhor, salva-me!. Jesus segura imediatamente a estendida mão, dizendo: "Homem de pequena fé, por que duvidaste?”     
A tempestade só cessou completamente quando Jesus entrou no barco. Assim também será em nossa vida, apenas quando o Senhor estiver dentro do nosso barco é que teremos as nossas tempestades espirituais acalmadas.
O Coração

Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus. (Mt 14:33)

O objetivo de Jesus com tudo isso era alcançar o coração dos discípulos. Este é o terceiro cenário desta história.
Somente depois de enfrentar uma tempestade e de quase perderem a vida é que eles finalmente entenderam o que Jesus queria ensiná-los.  Foi nesta ocasião quando os discípulos confessaram pela primeira vez que Jesus era o Filho de Deus e o adoraram na forma em que os homens adoram a Deus.
Jesus queria ensiná-los sobre a verdadeira adoração e usou a tempestade como instrumento de ensino.
Quando Deus permite tempestades em nossa vida ele quer nos ensinar algo. Quer nos ensinar dependência, por exemplo, pois,” os que deixam de compreender sua continua dependência de Deus são vencidos pela tentação” (Desejado de Todas as Nações,  264)
Da próxima vez que enfrentarmos as tempestades da vida não devemos mais perguntar “por que?” mas “para que?”. Se estivermos dentro da tempestade neste momento, oremos da seguinte forma: “Senhor, o que queres me ensinar através deste problema”. Nunca devemos nos esquecer de que Jesus está conosco dentro da tempestade nos prometendo: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador” (Isa. 43:1-3). Apendamos com a pedagogia das tempestades.

Tá faltando argumento? Apele para o “dinopum” Escrito por Michelson Borges   


Um estudo publicado [na] segunda-feira (7) pela revista científica Current Biology sugere que, muito antes do surgimento do homem, os animais já influenciavam o clima da Terra. Teoricamente, o metano emitido pelo “pum” dos dinossauros seria suficiente para aquecer o planeta, pois o gás contribui com o efeito estufa. Os saurópodes eram dinossauros herbívoros muito grandes, caracterizados também pelo longo pescoço, que atingiram seu auge na Era Mesozoica, 150 milhões de anos atrás. Assim como acontece com os herbívoros modernos – as vacas, por exemplo –, micróbios no sistema digestivo produziam metano por meio da fermentação das plantas. Os especialistas se basearam nisso para fazer o cálculo. Eles analisaram a proporção de metano emitida pelos herbívoros atuais, de acordo com sua biomassa. Depois, compararam essa relação com os dinossauros, que mediam até 45 metros e pesavam mais de 45 toneladas.

Os pesquisadores concluíram que esses dinossauros podiam emitir conjuntamente até 520 milhões de toneladas anuais do gás. Atualmente, as emissões anuais de metano chegam a 500 milhões de toneladas, contra 181 milhões da era pré-industrial. Estima-se que, na época em que os animais viveram, a temperatura do planeta seria em média 10 graus acima do que é hoje.

“Um simples modelo matemático sugere que os micróbios que viviam nos dinossauros saurópodes podem ter produzido metano suficiente para causar um efeito importante no clima mesozoico”, afirmou o coordenador do estudo, Dave Wilkinson, da universidade John Moores, de Liverpool, na Inglaterra. “De fato, nossos cálculos indicam que esses dinossauros podem ter produzido mais metano do que todas as fontes de metano atuais juntas, naturais ou criadas pelo homem”, acrescentou.

(G1 Notícias)

Nota: Se não há consenso sobre as causas do aquecimento global na atualidade (assista a este vídeo), como podem estar tão certos das causas do suposto aquecimento global há supostos milhões de anos? Às vezes, parece que os cientistas conseguem ter mais certezas sobre evidências mínimas e questionáveis (fragmentos de ossos fossilizados e estimativas obtidas de modelos matemáticos) do que sobre objetos de pesquisa disponíveis em seu tempo.[MB]

Viciados em redes sociais Escrito por Michelson Borges   


O vício em redes sociais é uma realidade e tem impactos impossíveis de ignorar [...]. Um dos primeiros estudos a revelar a força dessa nova dependência de forma inconteste foi apresentado em fevereiro pela Universidade de Chicago. Depois de acompanhar a rotina de checagem de atualizações em redes sociais de 205 pessoas por sete dias, os pesquisadores concluíram, para espanto geral, que resistir às tentações do Facebook e do Twitter é mais difícil do que dizer não ao álcool e ao cigarro. Uma consulta aos números do programa de dependência de internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq-HCUSP) dá contornos brasileiros ao argumento posto pelos americanos de Chicago.

Hoje, 25% dos pacientes que buscam ajuda no programa do IPq o fazem atrás de tratamento para o vício em redes sociais. “E esse percentual deve aumentar”, afirma Dora Góes, psicóloga do programa. “Até o fim do ano queremos ter um módulo específico para tratar essa vertente da dependência de internet.” Não será fácil estabelecer um protocolo de tratamento. O vício em redes sociais é forte como o da dependência química. Como o viciado em drogas, que com o tempo precisa de doses cada vez maiores de uma substância para ter o efeito entorpecente parecido com o obtido no primeiro contato, o viciado em Facebook também necessita se expor e ler as confissões de amigos com cada vez mais fre­quência para saciar sua curiosidade e narcisismo. Sintomas de crise de abstinência, como ansiedade, acessos de raiva, suores e até depressão quando há afastamento da rede, também são comuns. “É como um alcoólatra”, afirma Dora. “Se para ele o bar é o objetivo, para o viciado estar sempre conectado às redes sociais é a meta.” [...]

Atualmente, a atenção em torno do assunto é tamanha que já há setores defendendo a inclusão da dependência por redes sociais na nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, que deve ser publicada em maio de 2013. [...] Considerando a escala potencialmente planetária desse novo candidato à doença – o Facebook tem 901 milhões de usuários no mundo, sendo 46,3 milhões no Brasil, o segundo país com maior participação da Terra –, o pleito é mais do que razoável. [...]

Um estudo feito pela Online Schools em fevereiro, batizado de “Obcecados pelo Facebook”, mostrou que metade dos usuários da rede social com idade entre 18 e 34 anos faz o primeiro acesso do dia logo que acorda, sendo que 28% o fazem enquanto ainda estão na cama.

Entender as razões dessa compulsão em ascensão é um desafio. Por que usamos tanto e, às vezes, até preferimos esses canais para nos comunicar? Carlos Florêncio, coach e consultor em desenvolvimento pessoal há 20 anos, com mais de 60 mil atendimentos no currículo, tem uma teoria: “Nas redes sociais temos controle absoluto sobre quem somos”, diz ele. Lá, as vidas são editadas para que só os melhores momentos, as mais belas fotos e os detalhes mais interessantes do dia a dia sejam expostos. Até os defeitos, quando compartilhados, são cuidadosamente escolhidos. “É uma realidade paralela em que todos apresentam o que julgam ser suas versões ideais”, afirma Florêncio. E isso tem um custo imenso. São poucas as pessoas que conseguem, de fato, viver o ideal que projetam, o que gera grande frustração. E mais: privilegiar as relações mediadas pela internet compromete as nossas habilidades sociais no mundo real. “Desaprendemos a olhar no olho, interpretar os sinais corporais e dar a atenção devida a quem está ali, diante da gente”, diz Dora, do IPq-HCUSP.

Mas nem tudo é ruim nas teias das redes sociais. Pelo contrário. Grande parte do que elas oferecem é bom. O problema é saber dosar o uso para que as vantagens não sejam ofuscadas pelo vício que surge com os excessos. “Ame a tecnologia, mas não a ame incondicionalmente”, afirma Daniel Sieberg, autor do livro The Digital Diet (Random House, 2011), sem tradução para o português. [...]

(IstoÉ)

Nota: Não há dúvidas de que a internet facilitou nossa vida e potencializou a pregação do evangelho, mas precisamos tomar cuidados, especialmente no que se refere às redes sociais. Se o “mundo” está preocupado com isso, como deveriam estar os cristãos? Além do aspecto do vício, que é preocupante, há também a questão da falta de tempo para o que realmente é relevante. Por conta do tempo perdido, muitos navegantes virtuais não mais estudam a Bíblia ou oram como deveriam (e a vida espiritual depende disso). Perdem a espiritualidade imersos na virtualidade. Outra coisa é o testemunho virtual. Muitos pretensos cristãos se esquecem de que sua identidade virtual é uma extensão da real e postam fotos totalmente incoerentes com a vida de um verdadeiro filho de Deus: aparecem em roupas e poses sensuais, divulgam (de graça) marcas, produtos e alimentos incompatíveis com a fé/estilo de vida que professam, etc. Esquecem-se de que o cristão sempre está testemunhando – a favor ou contra o cristianismo. Uma das sugestões do gráfico acima é escolher um dia para desintoxicação digital. Que tal, adventistas, fazer isso no sábado? Você, que guarda o sábado como dia sagrado, deve ter especial atenção às “águas virtuais” pelas quais navega nesse dia (leia este texto). Que tal, nas horas do sábado, mais do que em qualquer outro dia, dedicar-se apenas à evangelização por meio de textos, links e fotos que tenham que ver com a Bíblia e a religião? Que tal, no dia de sábado, desligar-se da rede mundial de computadores e estreitar seus relacionamentos reais, com Deus e com as pessoas?[MB]

O cristianismo nosso de cada dia Escrito por Michelson Borges   


“Se os oito cristãos citados a seguir, todos influentes em seu tempo, se reunissem em torno da mesa de jantar, que conversas surgiriam”, pergunta o historiador australiano Geoffrey Blainey antes de citar nomes como São Paulo, Francisco de Assis e Martinho Lutero. São fórmulas como essas que atraem os leitores – e não são poucos – a livros como Uma Breve História do Cristianismo (Fundamento, 328 páginas, 29,50 reais) que mal chegou ao Brasil e já encontrou seu espaço na lista dos mais vendidos do país. [...] Aos 82 anos e 36 livros lançados, além de passagens pelas universidades de Melbourne e de Harvard, nos Estados Unidos, o australiano é um best-seller mundial. Especialmente graças à série Uma Breve História de...: no Brasil, onde foi lançado em 2008, Uma Breve História do Século XX ficou 40 semanas na lista dos mais vendidos. E Uma Breve História do Mundo, quarto título de não ficção mais comprado no Brasil em 2009, passou 140.

Ainda que não as desenvolvam a contento, os livros de Blainey levantam questões instigantes como as que o historiador discute na entrevista abaixo, concedida em primeira mão ao site de Veja. O australiano comenta a importância do cristianismo para a cultura ocidental, cujo conceito de justiça e democracia, ele defende, a religião influenciou. Confira os melhores momentos da conversa com Geoffrey Blainey:

Jesus realmente existiu?

Alguns acadêmicos duvidam. Eles o veem como um espantalho coberto de vestes brancas, um personagem definitivamente artificial. Para defender essa posição, argumentam que Jesus é raramente mencionado em documentos históricos de seu tempo, que comprovariam a sua existência. Eu analisei com atenção esses argumentos e discordo deles. Se você considera que Jesus não teve nenhum cargo público, era oriundo de uma família pobre e viveu uma vida curta numa esquina insignificante do enorme Império Romano, você tem é que se maravilhar com o volume de evidências que há sobre ele. Muitas dessas evidências foram feitas após sua morte, mas por pessoas que se lembravam dele ou que ouviram histórias sobre ele em primeira mão. Alguns desses registros, é verdade, são bastante contraditórios. Mas a mesma coisa se dá com várias personagens históricas controversas.

O que fez do cristianismo uma religião tão forte, a ponto de servir de base para a cultura ocidental?

Em primeiro lugar, no início os cristãos podiam pregar nas sinagogas espalhadas em grande parte do sul e do sudeste da Europa e da Ásia Menor – e provavelmente um em cada dez habitantes do Império Romano era judeu. E no século IV d.C., com vistas a unificar a vasta e multirracial população romana, o imperador Constantino tomou a decisão de tornar o cristianismo, com sua reconhecida abertura a diversas etnias, a religião oficial de Roma. Isso seria uma bênção para a religião [nem tanto, como se sabe, devido à acomodação posterior do cristianismo ao Estado e à paganização de algumas de suas doutrinas. – MB]. Segundo ponto: muitos líderes e seguidores acreditavam mesmo que Jesus havia sido o homem mais notável da história. E também que ele continuava vivo, em corpo ou espírito, ou ambos. Os fiéis – especialmente as mulheres – admiravam as suas lições persuasivas e os seus provérbios convincentes, embora nem sempre fossem fáceis de seguir. Em terceiro lugar, o cristianismo defendia a caridade para com os pobres e os doentes, enquanto as igrejas pagãs raramente lhes prestavam ajuda. Quando a varíola se alastrou, entre os anos de 165 e 180, e a baixa imunidade às infecções provocou inúmeras mortes, os cristãos foram valorizados pelo auxílio que prestaram. As Igrejas cristãs são, de fato, as instituições mais caridosas da história universal. A crença no retorno de Jesus à Terra, onde ele já estaria presente em espírito, e na vida após a morte foi outro fator que tornou a crença tão atraente. Por fim, para além de Constantino, a Igreja passou a receber o apoio de governantes mundo afora.

Como podemos distinguir a herança do cristianismo na cultura ocidental?

A cultura ocidental muda de século para século. Mas, na cultura que temos hoje, penso que o cristianismo – em especial o protestantismo do século XVI – ainda tem traços bastante presentes. A religião teve grande influência sobre a lenta ascensão da democracia. A declaração feita pelo apóstolo Paulo de que todas as almas têm o mesmo valor para Deus contribuiu para a configuração da democracia moderna, assim como a decisão de uma parcela do protestantismo que, desobedecendo ao papa e ao bispo, conferiu poder à congregação reunida aos domingos [esse foi um dos problemas da semipaganização do cristianismo: a mudança do sábado para o domingo, como dia de repouso e culto – MB]. A religião também teve peso decisivo na educação das massas – meninos e meninas precisavam aprender a ler para ler a Bíblia. Além disso, contribuiu para a ideia de amor ao próximo e a ênfase na justiça. Você pode argumentar que a cultura ocidental não é muito justa. Mas, dentro de uma perspectiva histórica, ela é, sim. Por exemplo, nós hoje não toleramos a escravidão. Cristãos, principalmente os evangélicos, fizeram mais que qualquer outro grupo – as exceções são várias – pela abolição do mercado escravo. Eles levaram um longo tempo para fazer isso, mas fizeram.

Outro cerne da cultura ocidental é o helenismo. Que características da cultura da antiga Grécia se combinaram com outras da cultura cristã, e quais conflitaram?

Uma questão difícil. Não posso responder com segurança, mas vou fazer dois comentários. Por um lado, o cristianismo era mais generoso, mais compassivo, que a cultura grega. Por outro, ambas as formas de ver o mundo deram mais atenção para as questões culturais e mentais que para as materiais. Inicialmente, eles também comungaram de uma mesma linguagem. Na maioria das igrejas cristãs, mesmo em Roma, se falava em grego e não em latim. E a maior parte dos livros do Novo Testamento foi escrita primeiramente em grego, por eruditos. Assim, a filosofia grega emprestou um certo sabor ao Novo Testamento.

O Brasil é tradicionalmente católico, mas agora as religiões pentecostais têm adquirido uma grande penetração no país. Isso pode sugerir algo sobre nós?

Eu não posso responder com convicção. Mas posso fazer algumas observações relevantes. O Brasil, como a Austrália e os Estados Unidos, parcialmente reflete o que está acontecendo com a civilização ocidental. Nela, de modo geral, os rituais e costumes cristãos estão em declínio. O catolicismo perde espaço no Brasil da mesma forma como o protestantismo perde terreno nas Ilhas Britânicas. Mas é preciso ter em mente que esse declínio geral do cristianismo não é necessariamente permanente. Na civilização ocidental, o cristianismo vive ciclos de declínio e revitalização. O cristianismo já renasceu muitas vezes. Alguns de seus “parteiros” – São Benedito, Santo Inácio de Loyola, Martinho Lutero – são mundialmente famosos. Outros nomes vão certamente se somar a essa lista nos próximos séculos. Enquanto isso, o Brasil segue como prova da capacidade do cristianismo se reerguer ou mudar de curso. Ele é transportado por uma onda de entusiasmo e magnetismo, inflamada por líderes carismáticos. Mas é provável que, no tempo devido, o número de evangélicos vai atingir um determinado patamar, e então estabilizar ou recuar.

Por que o cristianismo mudou tanto?

Há muitas razões: ele se tornou uma religião oficial de diversos estados, absorveu elementos de novas culturas e situações, se reinventou diversas vezes. O mundo mudou demais – a maior parte dos países se tornou mais próspera e materialista nos dois últimos séculos. Há ainda outra explicação para a mudança. Como eu digo no meu livro, “A Bíblia é um violino em que inúmeras músicas podem ser tocadas. Ela pode tocar quase tudo, com sons e significados contrastantes”. [Daí a importância de se permitir que a Bíblia se interprete a si mesma e de seguir os ensinamentos puros dos apóstolos, a fim de se ter certeza de estar vivendo o cristianismo verdadeiro, “descontaminado”. – MB]

(Veja)


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